Agosto 2026 - Safra e Exportações Brasileiras
Relatório de Agosto – Brasil
Visão Geral
A expectativa de redução de área para o plantio que se aproxima segue bem forte, ainda que sem consenso sobre a magnitude. Parte dos agrônomos trabalha com uma queda de 15% a 20%; outra parte enxerga algo entre 20% e 30%.
No mercado, do lado russo, os compradores relatam uma oferta maior de amendoim vindo dos exportadores brasileiros. Os preços, no entanto, não mudaram muito em relação aos últimos meses, o que indica que o aumento de disponibilidade vem sendo absorvido sem alterar o patamar de negociação.
No mercado europeu, a Argentina segue puxando os preços para cima, os compradores começam a se interessar por cobrir posições para entregas em 2027. No entanto, segue sendo uma demanda da qual o Brasil não consegue se beneficiar, devido principalmente à imprevisibilidade da qualidade.
Portanto, o Brasil segue cada vez mais dependente das importações Russas, importações chinesas de óleo e o mercado interno, todos mercados que não demonstram, até aqui, apetite suficiente para uma subida de preços significativa o suficiente para mudar o cenário no curto prazo.
Exportações
Julho manteve o ritmo forte do grão, ainda que abaixo do pico de junho. Foram 34.262 toneladas embarcadas, 14% menos que em junho, mas 6% acima de julho de 2025. É o segundo melhor mês do ano.
No ano-safra 25/26, iniciado em abril, o Brasil já exportou 128.022 toneladas em quatro meses, contra 99.575 toneladas no mesmo trecho da safra anterior, 29% a mais.
O óleo de amendoim seguiu em queda: 11.623 toneladas em julho, 12% abaixo de junho e 34% abaixo de julho do ano passado. No acumulado do ano, o grão sobe 27% e o óleo cede 13%.
Amendoim
Total

Exportações de amendoim em 2025/2026 x 2024/2025.
Exportações brasileiras de amendoim, NCM 12024200, ComexStat / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
As exportações de grão somaram 34.262 toneladas em julho, contra 32.317 toneladas em julho de 2025, alta de 6%. Em relação a junho de 2026, houve recuo de 14%.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 188.854 toneladas, ante 149.027 toneladas no mesmo período do ano passado, um avanço de 27%. Considerando apenas o ano-safra 25/26, são 128.022 toneladas em quatro meses, 29% acima do mesmo trecho da safra 24/25.
O gráfico mostra a curva 25/26 se mantendo acima da anterior desde abril, com julho preservando a distância mesmo após a acomodação em relação a junho.
Destino

Volumes exportados para os principais destinos.
Exportações brasileiras de amendoim, NCM 12024200, ComexStat / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A Rússia assumiu a liderança do mês com 10.847 toneladas, alta de 15% sobre junho e o maior volume mensal de toda a janela analisada. O movimento é coerente com o relato dos compradores russos sobre maior oferta brasileira.
A Argélia recuou de forma acentuada, de 11.233 para 5.702 toneladas, queda de 49% que devolve o país ao patamar de abril. A UE27 importou 4.833 toneladas, 8% abaixo de junho, e a África do Sul ficou com 3.300 toneladas, seu maior volume desde novembro. Os quatro destinos somaram 72% do total embarcado no mês.
Óleo de Amendoim

Exportações de óleo de amendoim em 2025/2026 x 2024/2025.
Exportações brasileiras de óleo de amendoim, NCM 15081000, ComexStat / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
As exportações de óleo de amendoim totalizaram 11.623 toneladas em julho, contra 17.576 toneladas em julho de 2025, queda de 34%. Na comparação com junho de 2026, o recuo foi de 12%.
No acumulado do ano, foram 72.945 toneladas, ante 84.063 toneladas no mesmo período de 2025, queda de 13%. No ano-safra a diferença é maior: 52.370 toneladas contra 65.081 toneladas, 20% abaixo. Depois da estabilidade registrada em junho, julho retoma a trajetória de queda na comparação anual.
Destino

Volumes exportados para os principais destinos.
Exportações brasileiras de óleo de amendoim, NCM 15081000, ComexStat / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A China importou 10.467 toneladas em julho, 8% abaixo de junho, e chegou a 90% dos embarques de óleo. A Itália ficou com 1.152 toneladas, recuo de 32% no mês e seu menor volume desde março.
A concentração, portanto, aumentou. O óleo brasileiro depende cada vez mais de um único comprador, e a variação mensal do produto tende a espelhar quase integralmente as decisões chinesas.
Disclaimer: Todas as informações publicadas são verificadas junto a diversos processadores e produtores no Brasil, não refletindo opiniões pessoais, mas uma média das percepções dos principais agentes do mercado. 31 de agosto, 2026
